Acidentes e segurança
Chernobyl. Segundo a OMS, em 1986, dos 600 trabalhadores que estavam na usina na madrugada do acidente, 134 receberam doses muito altas de radiação e 28 morreram nos primeiros três meses. Houve mais de 6.000 casos de câncer de tireoide entre quem era criança ou adolescente nas regiões afetadas, 15 deles fatais até 2005. Para toda a Europa, uma agência ligada à OMS projeta até 16.000 mortes por câncer até 2065; isso é estimativa de modelo, não contagem.54
Os acidentes em números. Um estudo de 2016 reuniu os acidentes de energia de 1950 a 2014. A nuclear teve 172 acidentes e 4.803 mortes, das quais 4.056 atribuídas a Chernobyl, boa parte por estimativa, e 573 a Fukushima. O acidente nuclear típico, nesse levantamento, não matou ninguém: a mediana é zero.55
Goiânia não foi um acidente de usina. Em 1987, uma fonte de césio-137 de um aparelho de radioterapia, abandonado numa clínica em Goiânia, foi aberta. Quatro pessoas morreram, 28 tiveram queimaduras por radiação e 249 foram contaminadas, entre cerca de 112.000 monitoradas; sete casas foram demolidas.16 Foi um acidente radiológico com uma fonte médica, sem reator e sem combustível nuclear. No levantamento da agência internacional de energia atômica sobre acidentes fatais com radiação de 1945 a 1987, em instalações nucleares e em atividades industriais, de pesquisa e médicas (sem contar eventos com pacientes), houve 17 eventos e 59 mortes, e só um, Chernobyl, em usina de energia.16
Quem cuida da segurança. Desde 2021, a ANSN regula e fiscaliza a segurança nuclear e a proteção contra a radiação. É ela que dá as licenças para escolher o local, construir, operar e desmontar uma usina.19
Depois de Fukushima. Angra ganhou um centro de emergência no alto de um morro, com geradores a diesel e reserva de combustível, para manter o resfriamento das usinas mesmo sem energia de fora.6
O plano de emergência. A cada dois anos, a Eletronuclear faz um exercício de emergência em Angra. O de 2025 reuniu cerca de 60 instituições, testou as sirenes e, pela primeira vez, alertas por mensagem de celular, e simulou a retirada de moradores das zonas de planejamento de emergência mais próximas das usinas.56 A única estrada de acesso é a BR-101, sujeita a deslizamentos; quando ela fica bloqueada, a usina pode ser desligada por precaução.6