Cerca de 70% da energiados Sistemas Isolados, as cidades e vilas fora da rede nacional, veio do diesel em 2025.1
R$ 12,56 bilhõesfoi a despesa da CCC em 2025. É a conta, paga nas contas de luz de todo o país, que cobre a maior parte do custo da energia nesses lugares.23
2.076usinas a dieselestavam em operação em outubro de 2026, quase todas pequenas: juntas, somam 3.819 megawatts.4
Para comparar esta fonte com as outras em segurança, emissões e terra ocupada, veja a página Comparativos.
Como funciona
Tanques de combustível da usina termelétrica Gera Maranhão. Foto: Arthur Victor, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.
Uma usina a diesel funciona como o motor de um caminhão, só que parado no chão e ligado a um gerador. O motor queima o combustível, e o gerador transforma o giro do motor em eletricidade.56
Veja passo a passo
1
Desenho do Mundo Energia Brasil, fora de escala. Os passos seguem o texto acima e as fontes das notas da seção Como funciona.
Passo a passo, em detalhe
1. O diesel chega. O óleo diesel é feito do petróleo, numa refinaria.5 Na Amazônia, ele viaja pelos rios em balsas até as usinas das cidades e vilas que não estão ligadas à rede nacional.7
2. O motor puxa o ar e aperta. Dentro do motor há cilindros, como copos de metal, e dentro de cada um uma peça que sobe e desce: o pistão. Quando desce, o pistão puxa ar para dentro. Quando sobe, aperta esse ar com muita força, e o ar apertado fica muito quente.89
3. O diesel pega fogo sozinho. Um bico joga gotinhas de diesel nesse ar quente, e o diesel pega fogo na hora, sem precisar de faísca, como acontece no motor a gasolina.98 A queima empurra o pistão para baixo com força. Depois, o pistão sobe de novo e empurra a fumaça para fora.8
4. O sobe e desce vira giro. O pistão está preso a um eixo torto, o virabrequim, que gira quando o pistão sobe e desce, como o pedal faz a roda da bicicleta girar.8 Com vários cilindros trabalhando um depois do outro, o eixo não para.
5. O gerador faz a eletricidade. O eixo do motor gira o gerador, também chamado de alternador. Ele transforma o movimento em energia elétrica.6 Motor e gerador juntos formam o grupo gerador.6
6. Os fios levam a energia às casas. Da usina, a eletricidade segue pelos fios até as casas. Diferente do sol e do vento, o diesel não depende do tempo: a usina pode funcionar de dia e de noite, enquanto houver combustível no tanque.
As usinas a óleo combustível, um óleo mais grosso, também queimam o combustível em motores ou em caldeiras.5 As maiores do país, como Suape II, em Pernambuco, com 381,3 megawatts, são desse tipo.4
Saiba mais: o motor de Rudolf Diesel
O motor a diesel tem o nome do engenheiro alemão Rudolf Diesel, que conseguiu uma patente para ele em 1892 e mostrou um motor funcionando em 1897.10 O segredo é apertar muito o ar: por isso esse motor é chamado de motor de ignição por compressão, e costuma aproveitar melhor o combustível do que o motor a gasolina.9
Do petróleo ao diesel
O diesel e o óleo combustível vêm do petróleo, uma mistura de muitas substâncias. Na refinaria, o petróleo é aquecido numa torre, e cada parte se separa conforme a temperatura em que ferve.11 O diesel ferve a cerca de 270 °C; o óleo combustível, mais pesado, a cerca de 500 °C.11
O Brasil tinha 18 refinarias em operação em julho de 2025, capazes de processar 2,31 milhões de barris de petróleo por dia.12
Abra a torre
O petróleo é uma mistura de muitas substâncias. Na torre, cada uma vira líquido de novo numa altura diferente: as leves no alto, onde é mais frio, e as pesadas embaixo. Toque nos números para ver cada parte.
GasesOs mais leves sobem até o alto da torre. Uma parte vira gás de cozinha.
Nafta e gasolinaSaem logo abaixo. A gasolina move carros; a nafta vira matéria-prima de plásticos.
QueroseneMais pesado que a gasolina. É o combustível dos aviões.
DieselSai no meio da torre. Move caminhões, ônibus, barcos e os motores das usinas a diesel.
Óleo combustívelGrosso e escuro, quase no fundo. Queima em navios, indústrias e usinas a óleo.
AsfaltoO que sobra no fundo, pesado demais para virar vapor. Vai para as ruas e estradas.
Desenho do Mundo Energia Brasil, simplificado e fora de escala; as temperaturas são aproximadas. Separação por temperatura de ebulição: InfoEscola (fonte 336). Uso nas usinas: EPE (fonte 057).Saiba mais: o biodiesel misturado ao diesel
O diesel vendido no Brasil leva uma parte de biodiesel. Desde 2025, a mistura obrigatória é de 15%.13 As fontes usadas nesta página não dizem quanto biodiesel vai no diesel queimado nas usinas.
Linha do tempo no Brasil
1973
É criada a CCC, uma conta para ajudar a pagar o combustível das usinas térmicas das distribuidoras.14
2005
O diesel entra no primeiro leilão de energia nova, com uma usina de 140 megawatts.15
2008
Ano recorde e último ano do óleo e do diesel nos leilões de geração registrados pela ANEEL: 25 usinas a óleo combustível, com 5.050 megawatts.15
2009
Uma medida provisória de julho vira lei em dezembro e define as regras atuais dos Sistemas Isolados e da CCC.163
2020
O governo cria o programa Mais Luz para a Amazônia, para levar energia a quem vive em áreas remotas e não tem acesso a ela ou depende de geração não renovável.17
2021
Na crise de falta de chuva, o óleo combustível gera 9.453 gigawatts-hora.18
2023
Na seca dos rios da Amazônia, o governo faz um estoque de emergência de diesel para as usinas da região.19 É criado o Programa Energias da Amazônia, para reduzir o uso de combustíveis fósseis nos Sistemas Isolados.20
2024
Cruzeiro do Sul, no Acre, é ligada à rede nacional.21
2025
Boa Vista, a última capital fora da rede nacional, é ligada a ela.21 O leilão dos Sistemas Isolados passa a exigir pelo menos 22% de energia renovável em cada projeto, salvo nos projetos a gás natural.22
2027previsto
Em dezembro, começam a funcionar as usinas contratadas no leilão de 2025, que juntam diesel, painéis solares e baterias.23
2030previsto
Até o fim do ano, estão previstas outras 16 ligações de Sistemas Isolados à rede nacional.21
2035previsto
O plano da EPE prevê 1,3 gigawatt de usinas a diesel e a óleo convertidas para biocombustíveis.24
Onde o óleo e o diesel são usados hoje
Comunidade ribeirinha no Amazonas. Foto: Robson Romeiro, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.
Nas cidades e vilas fora da rede. Em 2025, o planejamento considerava 160 Sistemas Isolados, com 1,965 milhão de pessoas, em seis estados da região Norte e em Fernando de Noronha.25 Neles, a energia vinda do diesel caiu de 2.866 gigawatts-hora em 2024 para 2.633 em 2025. Cidades grandes, como Boa Vista e Cruzeiro do Sul, saíram da conta ao se ligar à rede nacional.1 A página Sistemas Isolados conta essa história em detalhe.
Na rede nacional, como reserva. As usinas a óleo e diesel acompanhadas pelo ONS geraram só 0,22 terawatt-hora em 2025, cerca de 1% do que gerariam funcionando com toda a potência o ano inteiro.26 No grupo de 31 usinas a óleo e diesel identificado no arquivo de motivos de geração, 61,7% da energia foi classificada como razão elétrica, isto é, por necessidade de segurança da rede.2728 Em anos de pouca chuva, elas ajudam a poupar a água das hidrelétricas: em 2021, o óleo combustível gerou 9.453 gigawatts-hora; em 2025, 1.220.1829
Nas empresas que geram a própria energia. Cerca de 59% da eletricidade gerada a diesel em 2025 veio de autoprodutores, empresas que geram a própria energia.30
As leis e quem as fez
A lei dos Sistemas Isolados. As regras atuais nasceram da Medida Provisória nº 466, de julho de 2009, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelos ministros Guido Mantega e Edison Lobão. O Congresso a transformou na Lei nº 12.111, de dezembro de 2009.16 A lei diz que as distribuidoras dos Sistemas Isolados devem comprar energia por licitação31 e que a CCC reembolsa a diferença entre o custo de gerar energia nesses lugares e um valor de referência do mercado regulado da rede nacional.3
Os programas para trocar o diesel. Em 2020, um decreto do presidente Jair Bolsonaro e do ministro Bento Albuquerque criou o Mais Luz para a Amazônia, para atender famílias de áreas remotas sem energia ou que dependem de geração não renovável.17 Esse decreto foi revogado em 2023 por outro decreto, o nº 11.628.17 Também em 2023, um decreto criou o Programa Energias da Amazônia, para reduzir a geração por combustíveis fósseis nos Sistemas Isolados, com mais fontes renováveis, armazenamento e interligações.20
As regras do leilão. Uma portaria do Ministério de Minas e Energia de novembro de 2024 definiu o leilão de 2025 para os Sistemas Isolados: cada projeto precisa ter pelo menos 22% de energia renovável, salvo os projetos a gás natural, e as emissões evitadas contam pontos, a 150 reais por tonelada de gás carbônico equivalente.22
Quem representa o setor
O diesel nos Sistemas Isolados envolve quem gera a energia, quem paga por ela e quem a estuda. Essas entidades mandam sugestões à ANEEL e ao Ministério de Minas e Energia nas consultas públicas, falam em audiências no Congresso e, às vezes, vão à Justiça. O que elas dizem sobre si mesmas, como o número de associados, é dado da própria entidade.
Geradores
ABRAGETAssociação Brasileira de Geradoras Termelétricas
Donos de usinas térmicas.
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Quem faz parte. Diz reunir 50 associados e 25.000 megawatts de usinas térmicas a gás natural, nuclear, óleo, diesel e carvão.32
O que defende. Que as térmicas garantem a segurança da rede e prestam serviços que as fontes renováveis não conseguem prestar.32
Onde aparece. Na Comissão de Minas e Energia da Câmara, em audiência sobre o leilão de reserva de capacidade de 2024.32
Consumidores
FNCEFrente Nacional dos Consumidores de Energia
Entidades de consumidores de energia.
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Quem faz parte. Reúne entidades de consumidores de energia33 e é presidida por Luiz Eduardo Barata, ex-diretor-geral do ONS.34
O que defende. Encomendou um estudo segundo o qual trocar o diesel por solar com baterias pode baixar em até 44% o custo da energia na Amazônia.33
Onde aparece. Em 2025, pediu ao Ministério de Minas e Energia consulta pública sobre a reforma do setor elétrico.34
Pesquisa
CPI/PUC-RioClimate Policy Initiative
Centro de pesquisa ligado à PUC-Rio.
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Quem faz parte. Centro de pesquisa; os autores do estudo assinam como CPI/PUC-Rio35; seu estudo de 2022 sobre o diesel na Amazônia foi financiado pelo Instituto Clima e Sociedade.36
O que defende. Diz que há um incentivo escondido ao diesel por causa do imposto estadual sobre o combustível, e pede regras para as renováveis competirem nos leilões.3738
Onde aparece. Seus estudos são citados no debate sobre a conta da CCC, que, segundo o estudo de 2022, passaria de R$ 10 bilhões naquele ano.39
Do lado do governo, o Ministério de Minas e Energia aprova o planejamento e as regras dos leilões, a EPE faz o planejamento de cada ano, a ANEEL faz os leilões e regula a CCC, e a CCEE prepara o orçamento da CCC.40 A página Quem opera explica o papel de cada um.
Quem são os donos
Os donos são muitos e espalhados: no cadastro da ANEEL de outubro de 2026, são 931 empresas, e as dez maiores somam 43,1% da potência a óleo e diesel em operação. As maiores são a Eneva (7,1%), a Energética Suape II (5,4%), a EPASA, da Paraíba (4,8%), e a Oliveira Energia (4,5%).4 Muitas das pequenas usinas a diesel são de empresas que geram a própria energia.30
Na outra ponta há muitos donos pequenos: 516 empresas têm menos de 1 megawatt cada, como supermercados, frigoríficos e empresas de telefonia com geradores cadastrados na ANEEL. Há também empresas que alugam geradores, como a Aggreko, com 32 usinas, todas no Amazonas.4 O gráfico mostra as dez maiores.
Onde estão as usinas
Em outubro de 2026, a ANEEL registrava 2.124 usinas a óleo e diesel em operação, somando 7.119 megawatts. A maior parte delas é pequena: 2.076 usinas a diesel somam 3.819 megawatts, enquanto 34 usinas a óleo combustível somam 2.793.4 Por estado, lideram São Paulo (1.112 megawatts em 643 usinas), Pernambuco (1.064) e Amazonas (854, em 121 usinas).4
A animação mostra as usinas de hoje aparecendo no mapa no ano em que começaram a funcionar, de 2010 a 2026.4 Muitas usinas antigas já foram desligadas e não aparecem. Aperte o botão ou arraste a barra. Logo abaixo, o gráfico mostra quanta eletricidade o óleo diesel e o óleo combustível geraram em cada ano.29
As usinas ano a ano
óleo dieselóleo combustível e outroscírculo maior = mais potência
2026
–usinas a óleo diesel
–óleo combustível e outros
–eletricidade gerada no ano
Potência das usinas a óleo e diesel em operação em outubro de 2026, somada pelo ano em que cada uma começou a funcionar; as que já foram desligadas não aparecem. Pontos: usinas agrupadas em áreas de cerca de 75 km. Fonte: ANEEL, SIGA (fonte 008). Eletricidade gerada no ano (óleo diesel mais óleo combustível, de 2016 a 2025): EPE, Balanço Energético Nacional 2026, Tabela 5.3 (fonte 001). Contorno dos estados: IBGE (fonte 134).
O mapa mostra onde estão as usinas a óleo e diesel em operação em outubro de 2026, no lugar informado pelo cadastro da ANEEL. Cada cor é um combustível, e o ponto é maior quando a usina é maior. Clique num ponto para ver os detalhes.4
O mapa de hoje
Mapa interativo das usinas a óleo e diesel em operação em outubro de 2026. Fonte: ANEEL, SIGA (fonte 008).
O Brasil e o mundo
No mundo, os combustíveis fósseis que não são carvão nem gás, sobretudo o petróleo, fizeram 2,8% da eletricidade em 2024, segundo o centro de estudos Ember.4142
No Brasil, a parte é bem menor: o óleo diesel e o óleo combustível geraram 6.656 gigawatts-hora em 2025, 0,86% de toda a eletricidade do país.29 O diesel ficou concentrado nos lugares fora da rede nacional e na reserva.
O que é feito aqui e o que vem de fora
O petróleo sobra. O Brasil vende mais petróleo para fora do que compra, e o plano da EPE prevê que mais da metade do petróleo do país seja exportado entre 2025 e 2035.43
O diesel falta. As refinarias do país não fazem todo o diesel que o Brasil usa. Em 2025, cerca de 23% do diesel consumido veio de fora, segundo a EPE.44 O país importou 17,3 bilhões de litros de diesel, um recorde, 20% a mais que em 2024: 8,1 bilhões vieram da Rússia, 5,7 bilhões dos Estados Unidos e 1,63 bilhão da Índia.45 Em março e abril de 2026, a Rússia vendeu 81% do diesel comprado pelo Brasil, segundo os dados de comércio exterior do governo.46
O óleo combustível sobra. Com o óleo combustível acontece o contrário: o Brasil vende mais do que compra, e deve continuar assim até 2035.47
O Brasil poderia ser autossuficiente em diesel?
O que o Brasil tem. Petróleo de sobra, 18 refinarias e uma ampliação em obras: o segundo trem da refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco, vai processar mais 130 mil barris por dia.1248
O que falta. Mesmo assim, a EPE calcula que a capacidade de refino do país cresça só 10% entre 2025 e 2035, e que a importação de diesel suba para 52 mil metros cúbicos por dia em 2035, cerca de 25% do que o país vai usar.4944 Para a EPE, o Brasil continua comprando diesel de fora durante toda a década.49
O que ajuda. O biodiesel misturado ao diesel, hoje 15%, diminui a parte que precisa vir do petróleo.13 Nas usinas da Amazônia, o plano da EPE prevê trocar parte do diesel por biocombustíveis.24
Problemas do diesel na Amazônia
Rio Solimões, perto de Tefé (AM). Foto: sgt-bartos, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons.
É caro. Um estudo da consultoria Envol, encomendado pela FNCE, calculou que gerar energia com diesel na Amazônia custa cerca de R$ 2.000 por megawatt-hora, contra R$ 238 na rede nacional.33 No leilão de 2025 para os Sistemas Isolados, as usinas que juntam diesel, painéis solares e baterias foram contratadas por R$ 1.593,16 e R$ 2.729,70 por megawatt-hora.23
Depende dos rios. O diesel chega em balsas, e o transporte é muitas vezes interrompido nas épocas de seca.750 Em 2023, na seca dos rios da região, o governo encheu ao máximo os estoques de diesel para as usinas da região; o ministro falou em 169 sistemas isolados a diesel na Amazônia.19
Falha mais. Em Roraima, antes da ligação à rede nacional, houve três apagões gerais entre janeiro e setembro de 2025; depois da ligação, nenhum até julho de 2026, segundo as empresas da linha de transmissão.51
Polui. Em 2025, a geração nos Sistemas Isolados emitiu em média 0,67 tonelada de gás carbônico por megawatt-hora, por causa do diesel e, em menor parte, do gás natural.52 O estudo do CPI/PUC-Rio resume: o diesel é caro e muito poluente.53
Quem paga a conta
Imagine uma vila onde a energia custa muito caro para ser produzida. Se só os moradores pagassem, a conta de luz seria impagável. Por isso existe a CCC: ela paga a diferença entre o custo de gerar energia nos Sistemas Isolados e um valor de referência do mercado regulado da rede nacional.3
De onde vem o dinheiro. O dinheiro da CCC vem da CDE, o fundo pago pelas contas de luz de todo o país.54 A despesa da CDE com a CCC foi de R$ 12,56 bilhões em 2025, em valores do ano.2 Em 2013, tinha sido de R$ 4,04 bilhões. O gráfico mostra a despesa ano a ano.2
Por habitante. Em 2022, o CPI/PUC-Rio estimou a CCC em mais de R$ 10 bilhões, 250% a mais que em 2013, sem descontar a inflação, e um subsídio de mais de R$ 3 mil por habitante dos Sistemas Isolados.5535
Quando a rede chega, a conta cai. Com a ligação de Roraima à rede nacional, as empresas da linha calculam uma economia de até R$ 540 milhões por ano na CCC.51 A linha tem 724 quilômetros e custou R$ 3,3 bilhões.51
O futuro em números
Mais sol e baterias. O leilão de 2025 contratou 50 megawatts para localidades do Amazonas e do Pará, com usinas que juntam diesel, painéis solares e baterias.2356 O Programa Energias da Amazônia já aprovou projetos para 14 localidades.56
Mais rede. Até o fim de 2030, estão previstas outras 16 ligações de Sistemas Isolados à rede nacional.21
Menos diesel. O plano da EPE prevê converter usinas a diesel e a óleo combustível para biocombustíveis, num total de 1,3 gigawatt até 2035, e calcula que as emissões dos Sistemas Isolados caiam 44% no período, sobretudo pela ligação de Boa Vista.2457
Mitos e dúvidas comuns
"Usina a diesel só existe na Amazônia?" Não. Por potência, o estado com mais usinas a óleo e diesel é São Paulo, com 1.112 megawatts em 643 usinas.4 Cerca de 59% da eletricidade gerada a diesel em 2025 veio de empresas que geram a própria energia.30
"Se o Brasil tem tanto petróleo, por que compra diesel de fora?" Porque ter petróleo não basta: é preciso refinar. As refinarias do país não dão conta de todo o diesel que o Brasil usa, e cerca de 23% veio de fora em 2025.44 Veja a seção O Brasil poderia ser autossuficiente em diesel?
"Por que não ligar todas as vilas à rede nacional?" Porque as linhas são longas e caras. A linha que ligou Boa Vista tem 724 quilômetros e custou R$ 3,3 bilhões.51 Para muitas vilas pequenas e distantes, o caminho previsto é produzir a energia ali mesmo, com sol, baterias e menos diesel.2023
Outros impactos
Vazamentos. Ao longo da cadeia do petróleo pode haver vazamentos de óleo na extração e no transporte por dutos, caminhões ou embarcações.5
Logística na Amazônia. As regras do leilão de 2025 para os Sistemas Isolados exigem um plano de abastecimento de combustível que considere contingências, especialmente eventos climáticos.22
Emissões na Amazônia. Ao todo, os Sistemas Isolados emitiram 2,50 milhões de toneladas de gás carbônico equivalente em 2025, contra 3,28 milhões em 2018.52 Segundo o CPI/PUC-Rio, eles chegaram a emitir o equivalente a 9% do que emitia toda a rede nacional.37
Fontes e método
Ver como os números foram calculados
As informações desta página vêm do Balanço Energético Nacional, do Plano Decenal e do caderno de abastecimento de derivados de petróleo da EPE, do planejamento dos Sistemas Isolados (PASI), de dados abertos da ANEEL e do ONS, de leis, decretos e portarias, de estudos do CPI/PUC-Rio e da consultoria Envol, de material didático sobre motores e refino, e de reportagens identificadas nas notas.
Como os números foram calculados. Usinas: cadastro da ANEEL de outubro de 2026, somando diesel, óleo combustível e outros energéticos de petróleo. Donos: a parte de cada empresa é a potência da usina multiplicada pela sua participação. Leilões: soma da potência das usinas a óleo e diesel vendidas em cada leilão de geração, de 2005 a 2025. CCC: item de despesa da CDE. Rede nacional: geração por usina e capacidade do ONS em 2025 (52 usinas), e motivos de despacho de 31 usinas ligadas a esses combustíveis pelo nome; as duas contas têm coberturas diferentes. Mapa: usinas no ponto informado pelo cadastro da ANEEL; as que não têm coordenadas ficam fora.
Limites. O número de emissões da Amazônia é a média de todos os Sistemas Isolados, que também usam gás natural e outras fontes. O custo de R$ 2.000 por megawatt-hora é de um estudo encomendado por uma entidade de consumidores; os números do linhão de Roraima são das empresas que o construíram. Os números de importação de 2025 são de levantamento da consultoria StoneX com dados do governo.
O que ainda falta. Quantos empregos essas usinas geram, quanto biodiesel vai no diesel das usinas, o custo oficial da energia por megawatt-hora em cada Sistema Isolado e quanto tempo o diesel leva para chegar a cada vila: as fontes usadas não trazem esses dados.
ABRAGET, apresentação na Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados sobre o leilão de reserva de capacidade de 2024 (fonte 337). ↩
Cenário Energia, "Estudo aponta que energia solar com baterias pode reduzir em até 44% o custo da eletricidade na Amazônia", 16 de maio de 2025, sobre estudo da Envol para a FNCE (fonte 329). ↩
eixos, "FNCE critica falta de participação social na reforma do setor elétrico e pede consulta pública", 11 de abril de 2025 (fonte 1325). ↩
CPI/PUC-Rio, Rios de Diesel na Amazônia Legal, maio de 2022, p. 1 (fonte 320). ↩
CPI/PUC-Rio, Rios de Diesel na Amazônia Legal, maio de 2022, ficha técnica (fonte 320). ↩
CPI/PUC-Rio, Rios de Diesel na Amazônia Legal, maio de 2022, p. 11 (fonte 320). ↩
CPI/PUC-Rio, Rios de Diesel na Amazônia Legal, maio de 2022, p. 22 (fonte 320). ↩
CPI/PUC-Rio, Rios de Diesel na Amazônia Legal, maio de 2022, p. 2, 9 e 12 (fonte 320). ↩
EPE, PASI ciclo 2025, p. 6, 12 e 53 (fonte 007); MME, Portaria Normativa nº 92/2024, p. 1 a 3 (fonte 022). ↩
Ember, Global Electricity Review 2025, capítulo "2024 in review" (fonte 325). ↩
Ember, Global Electricity Review 2026, capítulo "2025 in review" (fonte 326). ↩
EPE, PDE 2035, Caderno de Abastecimento de Derivados de Petróleo, 2025, p. 22 e 46 (fonte 324). ↩
EPE, PDE 2035, Caderno de Abastecimento de Derivados de Petróleo, 2025, p. 33 e 38 (fonte 324). ↩
Fecombustíveis, "Importação de diesel pelo Brasil bate recorde em 2025, com aumento de 20%", 9 de janeiro de 2026, com dados do governo e da StoneX (fonte 322). ↩
Agência Brasil, "Rússia lidera venda de diesel ao Brasil durante guerra no Irã", 11 de maio de 2026, com dados do Comex Stat (fonte 323). ↩
EPE, PDE 2035, Caderno de Abastecimento de Derivados de Petróleo, 2025, p. 27 e 35 (fonte 324). ↩
EPE, PDE 2035, Caderno de Abastecimento de Derivados de Petróleo, 2025, p. 12 (fonte 324). ↩
EPE, PDE 2035, Caderno de Abastecimento de Derivados de Petróleo, 2025, p. 46 (fonte 324). ↩
CPI/PUC-Rio, Rios de Diesel na Amazônia Legal, maio de 2022, p. 6 (fonte 320). ↩
O Setor Elétrico, "Um ano após interligação ao SIN, linhão Manaus–Boa Vista reforça segurança energética de Roraima", 14 de setembro de 2026, com dados das empresas (fonte 328). ↩
EPE, PASI ciclo 2025, p. 7, 11, 12, 17, 18, 20 e 21 (fonte 007). ↩
CPI/PUC-Rio, Rios de Diesel na Amazônia Legal, maio de 2022, p. 9 (fonte 320). ↩